Perdidos no Trail Bracara Augusta

No passado dia 20 de Julho realizou-se o I Trail Bracara Augusta e que tinha como objetivo dar a conhecer várias facetas da cidade de Braga e dos trilhos que a rodeiam, passando por Património conhecido como o Bom Jesus ou o Sameiro.

Trail Bracara Augusta

Foto por @Atletismo

A expectativa inicial era grande devido às características do percurso anunciado com estrada, escadórios, terra, trilhos técnicos, grandes subidas, grandes descidas e vistas sobre uma cidade maravilhosa. O tempo ajudou porque estava fresco, sem chuva.

Logo no início era aguardada uma das fases mais duras da prova que foi a subida dos escadórios do Bom Jesus o que começou cedo a deixar marcas em alguns atletas do pelotão. Depois de passar pelo Lago do Bom Jesus veio a subida ao Sameiro onde foi curioso observar a mistura entre corredores e pessoas que se dirigiam para a missa.

Mais uns trilhos fantásticos e chegamos à zona do Hotel da Falperra, seguindo-se uma subida duríssima à Santa Marta das Cortiças que teve direito a escalada em penedo. Esta zona do penedo deveria ter uma corda para garantir a subida em segurança dos atletas.

Chegados ao cimo da Santa Marta encontramos o 1º abastecimento de sólidos e o controlo, ao que se seguiu uma fase fantástica de trilhos até ao km 16.

Roubo de Fitas e Meio Pelotão Perdido

É no km 16 que as coisas começaram a correr mal, pois havia 3 hipóteses de caminho, todos sem fitas durante várias centenas de metros. Nesta altura acumularam-se nesta área dezenas de atletas. O gráfico de altimetria que estava no dorsal mandava subir, coisa que alguns fizeram (pelo caminho errado, mas foram lá ter!), enquanto a maior parte seguiu uma indicação (da organização?) de descer até encontrar uma estrada em paralelo.

Nesta altura, achei que já começava a haver algumas pessoas a baixarem os braços e/ou a perderem a cabeça e a falarem em desistir e a culpar a organização. Não me parece que este seja o espirito do Trail!

Depois de seguir a tal estrada em paralelo voltamos a encontrar as marcações do percurso e o 3º abastecimento. Foi depois disto que aconteceu o que ainda não consigo perceber. As dezenas de pessoas que seguiam à minha frente voltavam para trás dizendo que “as marcações iam dar novamente à estrada”, passando a mensagem de que o percurso não estava marcado corretamente.

Neste momento a maioria decidiu escolher a estrada e ir diretamente para o fim da prova. Eu e mais um grupo pequeno de 6 ou 7 fizemos um compasso de espera (+/- 30 segundos) tentando perceber a melhor opção e foi quando apareceu o Emanuel da Minho Aventura, que tinha sido uma das pessoas a rever o percurso de manhã e que prontamente se disponibilizou a acompanhar-nos no resto da prova.

Daqui para a frente não voltei a encontrar problemas de fitas ou marcação de percurso. Por isso é que não percebo a decisão do grupo grande que foi pela estrada.

Mais uma subida ao Bom Jesus por trilhos espetaculares e descida para a meta e estava feito. 29km em 4:15′.

Dicas Para os Atletas

Importa refletir sobre algumas das coisas que testemunhei e que pode ser lições aprendidas para outras provas:

  • Manter a calma: este é um dos meus princípios base em tudo, mas quando estamos a falar de corridas em montanha, pode ser essencial para conseguir chegar ao fim de uma prova em boas condições e desfrutando de tudo o que essa prova tem para dar. Quem não fez um compasso de espera como eu no fim do 3º abastecimento perdeu quase metade da prova!
  • Levar sempre o telemóvel: Um dos meus colegas de equipa, seguiu no grupo que apesar de ir pelo caminho errado conseguiu chegar às antenas de Santa Marta e a partir daí fazer o percurso todo. Ele não tinha telemóvel, porque caso tivesse eu tinha conseguido comunicar com ele e não tinha feito o desvio que fiz. Mas a importância do telemóvel é bastante acrescida  se estivermos a falar de uma situação de emergência, que pelo que sei, e felizmente, não houve.
  • Na dúvida seguir o gráfico de altimetria: É meu hábito levar sempre o gráfico de altimetria, mas neste caso nem era preciso porque ele estava no dorsal. O meu erro nesta prova foi não seguir o gráfico, pois quando este mandava subir, eu segui a multidão e desci.

 Dicas Para a Organização

O trabalho de organizar uma prova de Trail deve ser monstruoso. Nunca estive envolvido em nenhuma organização, apenas ajudei pontualmente em algumas. De qualquer forma acredito que há sempre margem para melhorar e que todo o feedback contribui para essa melhoria. Assim, neste caso, algumas das dicas que proponho para esta organização e se calhar para muitas outras são:

  • Mais Staff conhecedor do percurso a acompanhar a prova: Se existirem elementos “guia” ou posicionados nos postos de abastecimento que possam rapidamente acompanhar atletas perdidos, pode ser essencial para evitar o tipo de confusão que se gerou ao km 16 e após o 3º abastecimento.
  • Disponibilizar previamente o track da prova: Sinceramente não vejo razões para isto não ser feito. Se for por causa da “batota”, os controlos surpresa podem ajudar nisso. De qualquer forma penso que a grande maioria das pessoas tem interesse em fazer a totalidade da prova e não uma parte dela.
  • Definir no regulamento o procedimento para estas situações: Não me disse respeito diretamente porque o meu objetivo era fazer a prova e não estava preocupado com tempo os classificações, mas percebi que houve alguma dificuldade em decidir o que fazer (entregar ou não prémios e qual o critério para isso). Penso que se a organização definir no regulamento o que fazer nestes casos, salvaguarda a sua posição e a justiça dos resultados.

E tu? Foste ao Trail Bracara Augusta? O que achaste?

 

 

Posted in Lições Aprendidas, Provas

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